Livrar-se: a jornada do escritor, em São Paulo

parece que o ano finalmente começou, não é mesmo? bora tirar a poeira dos planos e colocá-los para tomar um solzinho, enquanto  há verão.

é assim pra mim também! nas próximas semanas, falarei um pouco mais sobre oficinas e cursos que ministrarei em breve.

para começar, um projeto que amo, o Livrar-se: a jornada do escritor: a internet revolucionou o meio literário. há 20 anos atrás, no Brasil, era impensável alguma forma de publicação além do famoso papel, com alguma editora que se interessasse em investir no nosso trabalho de escritor. a labuta era árdua!

hoje, temos diversas formas de publicação, incluindo a possibilidade de se autopublicar, em zines e e-books, por exemplo. dependemos menos de editores e editoras. então, em contrapartida, ficam algumas perguntinhas em nossas mentes: como nos lançarmos nesse mar de possibilidades surgidas pós-anos 2000? quais as melhores ferramentas para chegarmos até o público dos nossos escritos?

assim, estou juntando pessoas que escrevem para participar do Livrar-se: a jornada do escritor e discutir, sobre nós-escritores (qual nossa voz?) e, a partir daí, pensarmos nos meios mais interessantes de nos livrarmos (carinhosamente) de nossa produção literária: livros, e-books, zines, revistas literárias, blogs e sites pessoais, redes sociais, entre otras cositas.

o Livrar-se: a jornada do escritor acontecerá em duas turmas:

presencial, em São Paulo, às quartas, das 14:00 às 16:00 e
virtualmente, em e-group, para quem mora fora das nossas redondezas 🙂

serão oito encontros, iniciando dia 1 de abril.

o investimento para a turma presencial é de 500 reais.
já para a turma virtual, o investimento é de 250 reais e ambos podem ser parcelados.

mais informações e inscrições para a turma virtual por: lubiprates@gmail.com

inscrições para a turma presencial, através do CINESE: http://www.cinese.me/encontros/livrar-se-a-jornada-do-escritor

tá esperando o quê? corre porque as vagas são limitadas!

compartilhe com seus amigos. 🙂

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Minicurso: As poetAs brasileirAs

Quem me conhece, sabe que insisto na questão: o espaço das mulheres dentro da literatura.

Não apenas dentro da literatura, acredito que, infelizmente, estamos longe de termos espaços igualitários para mulheres e homens.

Assim, comecei a pesquisar poetas que, por questões estéticas, temáticas ou sociais, são ignoradas pela história da literatura. São inúmeras. Acredito que resgatar essas poetas é uma questão atual de resistência.

Por isso, criei o minicurso: as poetas brasileiras. Três encontros quinzenais, nas manhãs de sábado, com um café da manhã delicioso. Falaremos sobre poetas desde os anos 1700 até os dias atuais.

Inscrições através do Cinese.

Vem, vem, vem!

 

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Parênteses #11

Acabou de sair, quentinha do forno, a edição #11 da revista Parênteses.

Com poemas de: Francesca Cricelli <3, Ana Salek, Rafael Elfe, Philippe Wolney e Elisa Buzzo. Prosas e contos de Leonardo Wittmann, Clarissa Comin ❤ e Lívia Piccolo. Ainda, traduções de poemas de Anne Sexton feitas por Adelaide Ivánova e Rafael Mantovani e fotografias de  Karine Moura e Kristiane Foltran.

Pra lamber os beiços!

Baixe aqui!

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como foi: [eu sou poeta]

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No último final de semana, aconteceu a primeira edição do festival literário [eu sou poeta] na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo.

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No sábado pela manhã a Jeanne Callegari mediou a oficina Lendo mulheres: a potência da poesia feminina. Discutimos poemas de diversas poetas, de vários lugares e épocas. Falamos sobre a definição de poesia feita por Pound: imagem, som, engenhosidade e buscamos isso na produção da Pagu, Marly de Oliveira, Mina Loy, Elisabeth Veiga, Hilda Machado, Mairéad Byrne e contemporâneas, como a Ana Guadalupe e Vanessa C. Rodrigues.

Aqui um poema de Mairéad Byrne, traduzido pelo Dirceu Villa:

Assim caminha o mundo

O soldado encontrou a mulher no meio do caminho.
“Você matou a minha filha”, ela disse.
“É, me desculpe”, o soldado respondeu.
“ Mas você lembra de que quando pedi água
Você recusou―
Não é jeito de tratar nem um cachorro.
Então me desculpe por sua filha ―
Espero que se desculpe pela água, também”.
“Não é a mesma coisa”, disse a mulher.
“Talvez não seja pra você”, disse o soldado.
“Mas quem sabe como a outra pessoa se sente?”
“Você estuprou e matou a minha filha”, disse a mulher.
“Não estuprei. Foi consensual”.
“Ela tinha seis anos”.
“Olha, tem erros dos dois lados.
A gente tem que viver com isso.
Sua filha se foi, é passado.
Agora você podia me arranjar um pouco d’água.”

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Após o almoço, a Ana Rüsche conduziu a abertura do festival, envolvendo os presentes em questões sobre criação, sobre os aspectos necessários para cada um continuar criando. Para mim, a palavra que ficou foi inevitabilidade. #eusoupoeta porque é inevitável.

Em seguida, conduzi com a Pilar Bu a discussão sobre o livro Do desejo, da Hilda Hilst. Tivemos a grande sorte de ter entre xs participantes da discussão, a Ana Lima Cecilio, editora da obra de Hilda Hilst na Biblioteca Azul. ❤

VIII

Se te ausentas há paredes em mim.
Friez de ruas duras
E um desvanecimento trêmulo de avencas.
Então me amas? te pões a perguntar.
E eu repito que há paredes, friez
Há molimentos, e nem por isso há chama.
desejo é um Todo lustroso de carícias
Uma boca sem forma, em Caracol de Fogo.
desejo é uma palavra com a vivez do sangue
E outra com a ferocidade de Um só Amante.
desejo é Outro. Voragem que me habita.

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No sábado, tivemos ainda a mesa Tradução, mediada por Francesca Cricelli, e com participação de Ana Lima Cecilio, Maurício Santana Dias e Sarah Valle. Os participantes falaram sobre suas experiências traduzindo Elena Ferrante, Adrienne Rich, Hilda Hilst (para o italiano) e as peculiaridades de cada trabalho.

Encerramos o dia com boas cervejas e conversas no Las Magrelas

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No domingo, começamos o dia com uma oficina incrível de zines com a Júlia Francisca. Conversamos sobre o que é zine e colocamos a mão na massa, criando nosso próprio zine do [eu sou poeta].

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Às 14h, tivemos a mesa Poesia é resistência?, mediada pela Juliana Bernardo e com participações tão especiais da Jenyffer Nascimento, Tula Pilar, Geruza Zelnys e Jarid Arraes. As convidadas falaram sobre sua relação com a poesia, o que as motivaram a começar a escrever e como é ser mulher no meio em que vivem, além de seus projetos atuais. Terminamos essa rodada de discussão com as poetas fazendo leitura de seus trabalhos.

Aqui, um poema da Geruza Zelnys:

arte desnecessária

organizo uma semana
de arte
[sobre o meu corpo]
moderna

de linhas surrealistas abertas à visitação
cubos cúbicos públicos em expressionismos de ponta
instalações de dedos nonsenses nas extremidades d’um
palco bem no meio do umbigo teatro de arena livre
melodrama de máscaras nô manifestos pendurados nos bicos
pixo de piadas, idiossincrasias & outras antropofagias
genitais

desorganizo meu corpo
pr’uma semana de arte moderna
[já tão antiga]
bilheteria aberta & entrada franca
excursão de crianças do nono ano
divulgação boca na boca
mais nada

sobram-me os joelhos ralados e aftas
por debaixo dos lençóis e das línguas
uma coceira sem fim e uma cistite intersticial
diga-se de passagem: dificílima de diagnosticar.

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Finalizamos o domingo com a mesa Mulheres e invenção, com Fabiana Faleiros, Luísa Nóbrega, Dirceu Villa e Júlia Mendes, com mediação de Maíra Mendes Galvão. Falaram sobre o que consideram inventivo dentro da poesia e das artes, em geral, de como esse conceito de invenção não se desprende da vida do artista e também sobre mulheres que consideram estar nessa posição de genialidade. Leram trabalhos de Mairéad Byrne, Sarah Kane, Isabelle Eberhardt e Marquesa de Alorna.

Após, fomos conversar e tomar cervejas no Las Magrelas, onde estava rolando o Desamélia

Mais: estamos programando novas edições do [eu sou poeta] no Rio de Janeiro, Natal e Curitiba.
Acompanhem!

#leiamulheres, em Curitiba

Nesse mês de março, quando o projeto  Leia Mulheres comemora seu primeiro ano, teremos uma edição especial! Nacionalmente, discutiremos o livro Poética, da Ana C.

Em Curitiba, a discussão acontecerá dia 23 de março, às 19h30.
O encontro será na Escola de Escrita – Rua Riachuelo, 427. Centro.

Vem com a gente!

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[eu sou poeta]

[eu sou poeta]
Sobre o festival
A produção poética feita por mulheres é esquecida com insistência por boa parte da crítica literária, pela curadoria de festivais e antologias e, até mesmo, por poetas. Pensando nessa discrepância de tratamento, 11 poetAs de 7 cidades do país se uniram para fazer um festival literário que lance uma lupa sobre a questão.

[eu sou poeta] é um festival literário pensado para combater a invisibilidade da produção poética de mulheres. Entretanto, acaba por ser também um momento de análise e balanço sobre esta produção.

A primeira edição de [eu sou poeta] acontecerá em São Paulo, nos dias 19 e 20 de março. E são previstas edições em diversas cidades do país com mesas, oficinas e debates que tragam questões urgentes e necessárias para a atualidade, como lugar de fala, estética poética, inventividade, tradução, produção cultural e literária que evidencie a obra de mulheres poetas. [eu sou poeta] e você, é poeta por quê?

Organizadoras: Ana Rüsche, Francesca Cricelli, Jeanne Callegari, Juliana Bernardo, Karine Kelly Pereira (São Paulo), Jéssica Balbino (Poços de Caldas), Lubi Prates (Curitiba), Maíra Mendes Galvão (Brasília), Nina Rizzi (Fortaleza), Pilar Bu (Goiânia) e Renata Corrêa (Rio de Janeiro).

PROGRAMAÇÃO

Dias 19 e 20 de março
Local: Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Rua Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, São Paulo (SP)
Gratuita, sujeita a alteração.

Dia 19 março, sábado

10h: Oficina Lendo Mulheres: a potência da poesia feminina
Mediadora: Jeanne Callegari
30 vagas, para as primeiras pessoas que chegarem.

14h: Abertura

15h: Clube de Leitura
Mediadoras: Lubi Prates e Pilar Bu
Livro: Do desejo, Hilda Hilst
30 vagas, para as primeiras pessoas que chegarem.

16h: Tradução
Mediadora: Francesca Cricelli
Convidadas: Ana Lima Cecilio e Maurício Santana Dias.

18h: Sarau Microfone aberto

Dia 20 de março, domingo

10h: Oficina de fanzine: as línguas e os idiomas das mulheres
Oficina para mulheres conhecerem o que é fanzine e sua linguagem, aprender a publicar seus escritos com autonomia. Espaço de diálogo e troca de escritos, referências visuais e técnicas de publicação. O objetivo é reconhecer as diferentes vozes das mulheres e encontrar meios de falar com o mundo, publicar textos, etc.
Mediadora: Julia Francisca, autora da zine [nectarina]
Oficina destinada exclusivamente às mulheres, 30 vagas, para as primeiras que chegarem.

14h: Poesia é resistência?
Mediadora: Juliana Bernardo
Convidadas: Geruza Zelnys, Jarid Arraes, Jenyffer Nascimento e Tula Pilar

16h: Mulheres e invenção
Mediadora: Maíra Mendes Galvão
Convidadas: Fabiana Faleiros, Luísa Nóbrega, Dirceu Villa e Julia Mendes.

18h: Microfone aberto

19h: Encerramento: abraço geral​

Evento no Facebook, aqui.

 

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