Nasceu: triz

image.jpeg

 

depois de 4 anos do lançamento do coração na boca, nasceu o triz.

o que já foi dito sobre:

 

Vi o livro todo amarrado por um barbante (uma cordinha de varal?) muito delicado, que segura, sem apertar demais, amores, desilusões e desencontros. E apesar de falar de coisas doloridas, não me soou rancoroso nem amargo. O triz é livre e sem mágoas, bem vivido, bem resolvido consigo. Achei tudo ritmado, com pausas e silêncios. Não um samba Brasil-brasileiro, mas aquela dancinha tímida de quem dança ali mesmo na cadeira sem querer chamar atenção, de quem aproveita tudo -a música e o silêncio, as festas e as tragédias- com uma satisfação tranquila.

“Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio,
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada –
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.”

– Rachel de Queiroz

Bruno Palma e Silva. Grande parceiro que também assina a capa e projeto gráfico do livro.

triz possui alguns traçados temáticos claros. A poesia e a procura pelo seu lugar. As distâncias físicas, fronteiras e deslocamentos. O amor até o desamor e o amor novamente. A poesia e a procura pelo seu lugar. São círculos que se desenham, circuitos que se desenlaçam. A cada volta, uma camada de significado. A cada enlace, uma perda. Neste labirinto concêntrico de temas, tudo é muito fortuito. Um quase. Um acaso. Por um fio. Sempre por um triz.

Ana Rüsche.

Uma proposta para os posfácios poderia ser a de antever novos caminhos para livros futuros. Mas não me parece uma viagem muito promissora, especialmente em se considerando uma poeta que, entre São Paulo e Curitiba, sabe abandonar, mudar, seguir, voltar e ir. “eu parti / com os seus sapatos / eu parti carregando nas mãos / os cartões-postais de todas as viagens / que você não fez.” Fiquemos, pois, com a poesia que temos agora em mãos.

Leandro Jardim.

Livro de Sete Cabeças

header-fb

Release escrito por Leandro Jardim.

No próximo dia 12 de março, às 17h, acontecerá no Patuscada Bar e Livraria o evento de lançamento do “Livro de Sete Cabeças”, que reúne onze dos principais autores do blog.

Nascido em 2006, o Blog de Sete Cabeças publicou um poema por dia durante um período de seis anos. Uniu poetas de diferentes regiões, idades e gêneros, diferentes maneiras de conceber e fazer poesia, diferentes origens e diferentes destinos. Com o tempo, mais e mais poetas foram se juntando aos sete autores originais, formando um verdadeiro painel de geração.

No blog, cada poeta era dono de um dia da semana. Assim, o livro está organizado a partir do número sete que representa os sete dias da semana. Mas no agora é diferente. É cada dia da semana que tem os poetas todos para si, e não o contrário. Mandam os dias. Há poemas domingueiros, poemas com no fluxo rítmico de uma quarta-feira, ou com a expectativa festejante das sextas.

Se em um segundo pode caber uma vida inteira, como dizem, nessa semana que é o Livro de Sete Cabeças cabe a vida inteira de um blog. Tem sempre algo que fica de fora, claro, mas isso é apenas outra parte instigante do mistério. Tudo o que foi o blog continua vivo, à mera distância de uns cliques. O que temos no livro, portanto, é um belo retrato dele, talvez o registro fotográfico de uma época. Uma época boa à beça nos versos e rimas deste Blog de Sete Cabeças.

Os autores:

Hoje, alguns dos escritores presentes na coletânea já contam livros publicados, alguns exploraram outros gêneros, há os que editam revistas literárias, que comandam bandas de rock, trabalham como revisores, designers, programadores, engenheiros, professores. Uns seguem produzindo em papel ou Internet e uns rumaram por caminhos diversos. Mas o que importa são os textos, a poesia, em sua beleza ao mesmo tempo inútil e imprescindível. E são estes seus autores, em ordem alfabética: Alexandre Beanes, Elaine Lemos, JF de Souza, Leandro Jardim, Lubi Prates, Luiz Guilherme Amaral, Marina Rabelo, Moacir Caetano, Múcio Góes, Nathalie Lourenço e Sandra Regina.

 

Evento de lançamento:

Dia 12/3 – 17h
Patuscada Bar e Livraria
Rua Luis Murat, 40
Pinheiros – São Paulo – SP

O Blog de Sete Cabeças:

http://blogdesete.blogspot.com.br/

Sobre de cada autor:

  • Alexandre Beanes – Baiano, azul. Acredita piamente que Vinicius, Quintana e Leminski formam a Santíssima Trindade. Hilda Hilst é Nossa Senhora e Liniers, apesar de argentino, pintou a Santa Ceia.
  • Elaine Lemos – Nasceu em São Paulo, no finalzinho da década de setenta. Mas foi em uma cidade do interior de Minas Gerais, aos nove anos, estimulada pela professora “tia” Joana, que decidiu ser escritora quando crescesse. A poesia apareceu em algum momento, muitos anos mais tarde, depois de ter estudado eletrônica e física. Mesmo tendo percorrido um caminho predominantemente de números, não perdeu seu amor pelas letras. Tornou-se mãe e descobriu que esta é a coisa mais poética que pode ser. Alguns de seus poemas estão no empoeirado blog duaspartes.blogspot.com.
  • JF de Souza – Nasceu em Sorocaba, no interior paulista, em 1981. Desde que se entende por gente (até os dias de hoje), as palavras e seu bom uso são um desafio para ele. Assim, começou – tardiamente – a brincar de poesia com elas nos idos de 2003. E brinca até hoje. Algumas dessas brincadeiras estão no livro “Dantes, Durantes e Depois” (2013). Outras foram publicadas na Revista Parênteses. E muitas delas estão em seu blog, escuchameporra.blogspot.com.br.
  • Leandro Jardim – É escritor de poesia, prosa e letra de canção. Seus livros mais recentes são “Peomas” (poesia, 2014) e “Rubores” (contos, 2012). Possui textos publicados nas antologias “Veredas – panorama do conto contemporâneo”, “Para Copacabana, com amor” e “Porto do Rio”. Lançou, em parceria com Rafael Gryner, os EP’s “O Sonhador” e “Sementes musicais para um mundo cibernético”, e tem parcerias musicais com Diogo Cadaval (banda Mocambo), Clara Valente e Matheus Von Kruger. Considera a participação no Blog de Sete Cabeças uma etapa fundamental e muito afetiva de sua trajetória até aqui.
  • Lubi Prates – Nasceu em 86, em São Paulo. Estudante de Psicologia. Tem publicado o livro ‘coração na boca’ (2012, Editora Multifoco) e algumas participações em revistas e antologias literárias nacionais e internacionais. Escreve no blog coração-na-boca.blogspot.com . Edita a Parênteses, revista literária virtual, e traduz.
  • Luiz Guilherme Amaral – Sorocabano de nascimento, mairinquense de criação. Seu exercício é colocar na boca das pessoas o que elas gostariam de dizer para seus amores.
  • Marina Rabelo – É cearense, mas mora em Natal desde criança e considera-se natalense com todos os sotaques. Participou de alguns concursos literários onde obteve menção honrosa, como no concurso Luís Carlos Guimarães em 2013, e o terceiro lugar no concurso de poesia da Fliporto – Festa Literária Internacional de Pernambuco – em 2012. Lançou o livro de poesia Por Cada Uma (2011, Editora Una) com mais 4 poetas potiguares.
  • Moacir Caetano – É um goiano comedor de pequi, doido da Silva. Além de ser pai do Davi, cursa pós-graduação, fala quatro línguas, joga tênis, escreve poesias, desenha, fotografa, apresenta um programa de rádio, organiza eventos, é fundador e diretor do Coletivo Panela Nova, finge que toca baixo na Rapsódia, compõe, ouve rock ’n roll em quantidades industriais e bebe Heineken. Bastante. Nas horas vagas, trabalha como engenheiro civil. Não fica parado nem por um segundo.
  • Múcio Góes – Poeta pernambucano, vizinho de ascenso a alceu, adestrador de palavras ao vento, professor de línguas extintas, desenhista de nuvens. Um dos pais desse blog que foi o propulsor de grandes amizades regadas à letras & poesia.
  • Nathalie Lourenço – É paulista e paulistana desde 1984. Teve textos publicados nas revistas Flaubert, Parênteses, Vacatussa e Blecaute, e na coletânea Edifício Marques de Sade (Editora Valer). Escreve, ainda que raramente, no blog sabedoriadeimproviso.wordpress.com
  • Sandra Regina – Formada em Letras pela FFLCH-USP, atua há mais de 25 anos na área editorial. Publicou, pela Editora Limiar, “O texto sentido” (2008) e “haicaos” (2012), com Múcio Góes. Em 2015, pela Editora Reformatório, “Visita íntima”. Seus textos estão também em seu blog “feitaemversos.blogspot.com”, e-books, antologias e revistas.