São Paulo| Livrar-se: A jornada do escritor

a internet revolucionou o meio literário. há 20 anos atrás, no Brasil, era impensável alguma forma de publicação além do famoso papel, com alguma editora que se interessasse em investir no nosso trabalho de escritor. a labuta era árdua!

hoje, temos diversas formas de publicação, incluindo a possibilidade de se autopublicar, em zines e e-books, por exemplo. dependemos menos de editores e editoras. então, em contrapartida, ficam algumas perguntinhas em nossas mentes: como nos lançarmos nesse mar de possibilidades surgidas pós-anos 2000? quais as melhores ferramentas para chegarmos até o público dos nossos escritos?

assim, estou juntando uma galera para participar do Livrar-se: a jornada do escritor e discutir, sobre nós-escritores (qual nossa voz?) e, a partir daí, pensarmos nos meios mais interessantes de nos livrarmos (carinhosamente) de nossa produção literária: livros, e-books, zines, revistas literárias, blogs e sites pessoais, redes sociais, entre otras cositas.

o Livrar-se: a jornada do escritor acontecerá em duas turmas:

presencial, em São Paulo, às quartas, das 19:30 às 21:30 e
virtualmente, em e-group, para quem mora fora das nossas redondezas🙂

serão seis encontros, iniciando dia 9 de novembro.

o investimento para a turma presencial é de 400 reais.
já para a turma virtual, o investimento é de 200 reais e ambos podem ser pagos em duas parcelas.

mais informações e inscrição por: lubiprates@gmail.com

tá esperando o quê? corre porque as vagas são limitadas!

compartilhe com seus amigos.🙂

mais aqui: http://www.lubiprates.wordpress.com/livrar-se-a-jornada-do-escritor

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Traduções de Ingrid Bringas

conheci a poeta mexicana Ingrid Bringas por acaso. numa noite rolando o facebook, vi um post com seu poema Retrato de família y me encanté. o traduzi em seguida e postei: o encantamento foi geral.

abaixo, alguns poemas com suas traduções, feitas por mim. foram publicados também em mallarmargens.

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NADA ME HA SIDO AJENO

Perdimos el rastro de nosotros el significado de nosotros diáspora
el amor no ha sido atendido
tenemos una habitación en el pecho un corazón de cerdo
una tierra que nos ha sepultado todos estos años llena de sueños
/espantosos
de risas de una fiesta que nunca termina
yo los oigo gritar con su piel anaranjada de frente al sol
y su pregunta es:
¿que has desenterrado de ti todos estos años?
mi tercer ojo me dice que nunca he estado sola
que sólo lo que queda es el rastro de nosotros
(exilio, exilio)
nada de lo que sepulte debe morir.

NADA ME FOI ALHEIO

Perdemos o rastro do nós o significado do nós diáspora
o amor não foi atendido
temos uma casa dentro do peito um coração de porco
uma terra cheia de sonhos que nos sepultou todos estes anos
/espantosos
de risos de uma festa que nunca acaba
eu os ouço gritar com sua pele alaranjada em frente ao sol
e sua pergunta é:
o que desenterrou de si todos estes anos?
meu terceiro olho me disse que nunca estive sozinha
que só o que permanece é o rastro do nós
(exílio, exílio)
nada que seja sepultado deve morrer.

RETRATO DE FAMILIA

Cuando sea grande quiero bailar como mi madre
amar como mi madre
gritar como mi madre
sonreír como el perro que nunca tuvo
ponerme su falda y decir: casi soy como mi madre
más desquiciada, menos amada
más alta que mi madre
quiero tener los pómulos de mi madre

callar como mi madre mas no estar ausente

llevar en el pecho escorpiones, cigarros doblados por el peso del olvido

esas piernas que son dos murallas

recógeme debajo de la cama madre quiero tener tus ojos de madera.

RETRATO DE FAMÍLIA

Quando eu for grande quero dançar como minha mãe
amar como minha mãe
gritar como minha mãe
sorrir como o cachorro que nunca teve
vestir sua saia e dizer: quase sou como minha mãe
mais esquecida, menos amada
mais alta que minha mãe
quero ter as maçãs do rosto de minha mãe
calar como minha mãe, mas sem estar ausente
levar no peito escorpiões, cigarros dobrados pelo peso do esquecimento
as pernas que são duas muralhas
me busque debaixo da cama mãe quero ter seus olhos de madeira.

BETA O VHS

Un video porno también es un poema
las cámaras de TV están tristes
un poema es migajas para pájaros
el porno es una bufanda tejida para extraños
te muerde la mano el dolor visionario del futuro
no te dice nada la canción prohibida, las heridas de tu ciudad
un video porno también es un poema
donde escuchas voces interiores, un campo minado de nostalgia
amarnos de muerte natural
porque el amor es un grito consumido en la niebla
un video porno también es un poema que le pone un altar a nuestros
/cuerpos deformes.

BETA OU VHS

Um vídeo pornô também é um poema
as câmeras televisivas estão tristes
um poema é migalhas para pássaros
pornô é um lenço tecido para estranhos
a dor visionária do futuro te morde a mão
a canção proibida não te diz nada, as feridas da sua cidade
um vídeo pornô também é um poema
onde se escuta vozes interiores, um campo minado de saudades
nos amarmos de uma morte natural
porque o amor é um grito que ressoa na névoa
um vídeo pornô também é um poema que colocamos no altar
/corpos disformes.

CUL DE SAC

Créele a todas las cucarachas
Créele a todos los muertos que conocen tus poros cuánto te amo
porque en el amor está el vicio
risa de lince
puedes poseer toda mi tierra sus asfaltos y fábricas
¿a quién perteneceré cuando me muera?
cuando mi aliento sea una ola que rompe la boca de los extraños
créele a las bombas

créele a los cuadernos que son memorias con los ojos cerrados
masticar las piedras cuando me muera eso quiero
el amor es una dama sumisa
créele a las voces de tu cabeza ellas te dirán que el amor es una
bolsa
de basura
créele a los pájaros mojados de tu boca
vocablo líquido
créele a el océano que no es el destino el que nos abraza.

BECO SEM SAÍDA

Creia em todas as baratas
creia em todos os mortos que conhecem seus poros e o quanto te amo
porque no amor estão os vícios
sorriso de lince
seu asfalto e suas fábricas podem tomar toda minha terra
quando morrer a quem pertencerei?
quando meu hálito for uma onda que quebra na boca de estranhos
creia nas bombas
creia nos cadernos que são lembranças de olhos fechados
quando morrer vou querer mastigas as pedras
o amor é uma dama submissa
creia nas vozes que habitam sua cabeça elas te dirão que o amor é um
saco
de lixo
creia nos pássaros molhados da sua boca
vocabulário líquido
creia no oceano que não é o destino o que nos abraça.

Ingrid Bringas (Monterrey, México. 1985) Poeta mexicana, colaborou com diversas revistas nacionais e internacionais. Suas publicações são: La edad de los salvajes (Editorial Montea, 2015), Jardín Botánico (Casa editorial Abismos, 2016),  Nostalgia de la luz (UANL, 2016).

+mais: aquiuma leitura maravilhosa do poema Nada me ha sido ajeno feita pela Marília Moschkovitch.

Mulheres independentes que escrevem, editam, bordam e publicam

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Bate-papo com mulheres que escrevem, editam, bordam, publicam

A distribuidora de editoras independentes Rizoma organiza um bate-papo com 7 autoras na Biblioteca Mário de Andrade. Em comum, estas mulheres não só escrevem, mas batalham muito pela literatura feita por mulheres – editam livros, publicam revistas, traduzem, organizam festivais como o [eu sou poeta], organizam clubes de leitura, bordam poemas.

A conversa irá esmiuçar os projetos das escritoras, assim como propiciará a troca de experiências e o diálogo sobre autonomia na literatura. Uma longa meada aberta a quem quiser participar. Os livros das autoras estarão à venda no local e podem ser autografados.

Convidadas:
Aline ValekAna Rüsche, Jarid Arraes, Jeanne Callegari, Lilian Aquino, Maíra Mendes Galvão e eu.

Data: 28 de outubro, sexta-feira, a partir das 19h
Local: Biblioteca Mário de Andrade, Centro de São Paulo (SP). Área externa, entrada pela Av. São Luis.
Organização: Rizoma Distribuidora de editoras independentes
Gratuito. Esquenta literário, compre um livro e leve um drinque

*Texto de divulgação escrito por: Ana Rüsche.

para este país

 

para este país
eu traria

os documentos que me tornam gente
os documentos que comprovam: eu existo
parece bobagem, mas aqui
eu ainda não tenho esta certeza: existo.

para este país
eu traria

meu diploma os livros que eu li
minha caixa de fotografias
meus aparelhos eletrônicos
minhas melhores calcinhas

para este país
eu traria
meu corpo

para este país
eu traria todas essas coisas
& mais, mas

não me permitiram malas

: o espaço era pequeno demais

aquele navio poderia afundar
aquele avião poderia partir-se

com o peso que tem uma vida.

para este país
eu trouxe

a cor da minha pele
meu cabelo crespo
meu idioma           materno
minhas comidas preferidas
na memória da minha língua

para este país
eu trouxe

meus orixás
sobre a minha cabeça
toda minha árvore genealógica
antepassados, as raízes

para este país
eu trouxe todas essas coisas
& mais

: ninguém notou,
mas minha mala pesa tanto.

Nasceu: triz

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depois de 4 anos do lançamento do coração na boca, nasceu o triz.

o que já foi dito sobre:

 

Vi o livro todo amarrado por um barbante (uma cordinha de varal?) muito delicado, que segura, sem apertar demais, amores, desilusões e desencontros. E apesar de falar de coisas doloridas, não me soou rancoroso nem amargo. O triz é livre e sem mágoas, bem vivido, bem resolvido consigo. Achei tudo ritmado, com pausas e silêncios. Não um samba Brasil-brasileiro, mas aquela dancinha tímida de quem dança ali mesmo na cadeira sem querer chamar atenção, de quem aproveita tudo -a música e o silêncio, as festas e as tragédias- com uma satisfação tranquila.

“Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio,
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada –
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.”

– Rachel de Queiroz

Bruno Palma e Silva. Grande parceiro que também assina a capa e projeto gráfico do livro.

triz possui alguns traçados temáticos claros. A poesia e a procura pelo seu lugar. As distâncias físicas, fronteiras e deslocamentos. O amor até o desamor e o amor novamente. A poesia e a procura pelo seu lugar. São círculos que se desenham, circuitos que se desenlaçam. A cada volta, uma camada de significado. A cada enlace, uma perda. Neste labirinto concêntrico de temas, tudo é muito fortuito. Um quase. Um acaso. Por um fio. Sempre por um triz.

Ana Rüsche.

Uma proposta para os posfácios poderia ser a de antever novos caminhos para livros futuros. Mas não me parece uma viagem muito promissora, especialmente em se considerando uma poeta que, entre São Paulo e Curitiba, sabe abandonar, mudar, seguir, voltar e ir. “eu parti / com os seus sapatos / eu parti carregando nas mãos / os cartões-postais de todas as viagens / que você não fez.” Fiquemos, pois, com a poesia que temos agora em mãos.

Leandro Jardim.

Livrar-se: a jornada do escritor

a internet revolucionou o meio literário. há 20 anos atrás, no Brasil, era impensável alguma forma de publicação além do famoso papel, através apenas de alguma editora que se interessasse em investir no nosso trabalho. a labuta era árdua!

hoje, temos diversas formas de publicação, incluindo a possibilidade de se autopublicar, em zines e e-books, por exemplo. dependemos menos de editores e editoras. então, em contrapartida, ficam algumas perguntinhas em nossas mentes: como nos lançarmos nesse mar de possibilidades surgidas pós-anos 2000? quais as melhores ferramentas para chegarmos até o público dos nossos escritos?

assim, estou juntando uma galera para participar do Livrar-se: a jornada do escritor e discutir, sobre nós-escritores (qual nossa voz?) e, a partir daí, pensarmos nos meios mais interessantes de nos livrarmos (carinhosamente) de nossa produção literária: livros, e-books, zines, revistas literárias, blogs e sites pessoais, redes sociais, entre otras cositas.

o Livrar-se: a jornada do escritor acontecerá em três turmas:

presencial, em Curitiba, às quintas, das 19:30 às 22:00,
presencial, em Curitiba, aos sábados, das 14:00 às 16:30
, e
virtualmente, em e-group, para quem mora fora das nossas redondezas🙂

serão oito encontros, iniciando já nesta primeira semana de agosto.

o investimento para as turmas presenciais é de 400 reais. já para a turma virtual, o investimento é de 200 reais e ambos podem ser pagos em duas parcelas.

mais informações e inscrição por: lubiprates@gmail.com

tá esperando o quê? corre porque as vagas são limitadas!

 

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Parênteses #11

Acabou de sair, quentinha do forno, a edição #11 da revista Parênteses.

Com poemas de: Francesca Cricelli <3, Ana Salek, Rafael Elfe, Philippe Wolney e Elisa Buzzo. Prosas e contos de Leonardo Wittmann, Clarissa Comin❤ e Lívia Piccolo. Ainda, traduções de poemas de Anne Sexton feitas por Adelaide Ivánova e Rafael Mantovani e fotografias de  Karine Moura e Kristiane Foltran.

Pra lamber os beiços!

Baixe aqui!

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